quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Homo connectus - Roberto Pompeu de Toledo
08/02/2012 às 17:56 \ Tema Livre
http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/
Roberto Pompeu de Toledo: com os smartphones, as pessoas não estão mais apenas onde se encontram. Metade está ali, a outra metade mergulha no aparelhinho
Resista se puder a ler este artigo de Roberto Pompeu de Toledo publicado na edição de VEJA desta semana, a propósito do fenômeno dos smartphones. O título original está em negrito, abaixo.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Homo connectus
Roberto Pompeu de Toledo
Uma charge em recente número da revista The New Yorker mostrava uma animada mulher, ao telefone, convidando os amigos para uma festinha em sua casa. “Vai ser daquelas reuniões com todo mundo olhando para seu iPhone”, ela diz.
O leitor captou? A leitora achou graça? Cartunistas são mais rápidos do que antropólogos e mais diretos do que romancistas. Captam o fenômeno quase no momento mesmo em que vem à luz.
O fenômeno em questão é o poder magnético dos iPhones, BlackBerries e similares. O ato de compra desses aparelhinhos é um contrato que vincula mais que casamento. As pessoas se obrigam a partilhar a vida com eles.
Na charge da New Yorker, a mulher estava convidando para uma festa em que, ela sabia — e até se entusiasmava com isso —, as pessoas ficariam olhando para seus iPhones ainda mais do que umas para as outras. É assim, desde a sensacional erupção dos tais aparelhinhos, e não só nas ocasiões sociais.
Até nas sessões do Supremo
O mesmo ocorre nas reuniões de trabalho. Chegam os participantes e cada um já vai depositando à mesa o respectivo smartphone (o nome do gênero a que pertencem as espécies). Dali para a frente, será um olho lá e outro cá, um na reunião e outro na telinha. Não dá para desgarrar dela. De repente pode chegar uma mensagem, aparecer uma notícia importante, surgir a necessidade de uma consulta no Google.
O que vale para reuniões sociais e de trabalho vale também para as sessões do Supremo Tribunal Federal. Quem assistiu pela TV Justiça, na semana passada, ao início do julgamento das competências do Conselho Nacional de Justiça, assistiu a uma cena exemplar.
Falava o representante da Associação dos Magistrados Brasileiros. A TV Justiça, com seu apego pela câmera parada, modelo Jean-Luc Godard, enquadrava o orador e, atrás dele, quatro cadeiras da primeira fila da assistência.
Três delas estavam ocupadas, a primeira por uma moça que, coitada, não conseguia se livrar de um ataque de espirros, e as outras duas por cavalheiros cujo tormento, igualmente compulsivo, era não conseguir se livrar dos smartphones. (Se o leitor ainda não se deu conta, o melhor, na TV Justiça ou na TV Câmara, é observar o que se passa ao fundo.)
Os dois cavalheiros apresentavam reações características do Homo connectus. Um olho lá, outro cá. De vez em quando, um deles guardava o telefoninho no bolso. Será que agora vai sossegar? Não; minutos depois, sacava-o de novo. E se chega uma mensagem? Uma notícia?
Às vezes o smartphone exigia mais que um simples olhar. Requeria o afago dos dedos, naquele gesto que antes servia para espanar uma sujeirinha na roupa, e hoje é o modo de conversar com a telinha.
Quando o representante da Associação dos Magistrados terminou o discurso, veio ocupar a cadeira que estava vazia. Agora era sua vez! Sacou o smartphone e, olho lá e olho cá, ele o põe no bolso, tira, olha, consulta de novo, enquanto o orador seguinte se apresentava.
Silenciosos, os smartphones são socialmente mais aceitáveis
O telefoninho esperto vem provocando decisivas alterações na ordem das coisas. O ser humano é instigado a desenvolver novas habilidades, como a de tocar na tela e conduzi-la ao fim desejado, sem que desande, furiosa e insubmissa.
Implantam-se novos hábitos sociais. No tempo do celular puro e simples, aquele bicho que só telefonava, havia restrições a seu uso. Não em ambientes mais debochados, como a Câmara dos Deputados por exemplo, onde sempre foi e continua a ser usado sem peias.
Em lugares de maior compostura, os celulares são evitados porque fazem barulho — disparam a tocar campainhas ou musiquinhas e só permitem comunicação via voz. Já os smartphones podem ser desativados na função telefone mas continuar, em respeitoso silêncio, na função telinha.
Daí serem socialmente mais aceitáveis.
" O smartphone parte a pessoa aomeio: metade dela está na festa, metade no smartphone"
Há uma grande desvantagem, porém.
O aparelhinho parte a pessoa ao meio. Metade dela está na festa, metade no smartphone. Concluída sua oração, metade do senhor da Associação dos Magistrados continuou na sessão do Supremo, metade evadiu-se para o aparelhinho.
Pode ser que o aparelhinho lhe tenha trazido informações fundamentais para sua causa. Mas pode ser também que tenha perdido informações fundamentais, ao não acompanhar o orador seguinte. Qual o remédio, para a divisão da pessoa em duas, metade ela mesma, metade seu smartphone?
Se abrir mão do aparelhinho está fora de questão, como fazer?
Abrir mão do aparelhinho, depois de todas as facilidades que trouxe, está fora de questão. Se é para abrir mão de um dos dois lados, que seja o da pessoa. Por exemplo: inventando-se um smartphone capaz de sugá-la e reproduzi-la em seu bojo. As reuniões sociais, as de trabalho e as sessões do Supremo seriam feitas só de smartphones, sem a intermediação humana.
Delírio? O leitor esquece do que a Apple é capaz.
E se chega uma mensagem? Uma notícia?
http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/
Roberto Pompeu de Toledo: com os smartphones, as pessoas não estão mais apenas onde se encontram. Metade está ali, a outra metade mergulha no aparelhinho
Resista se puder a ler este artigo de Roberto Pompeu de Toledo publicado na edição de VEJA desta semana, a propósito do fenômeno dos smartphones. O título original está em negrito, abaixo.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Homo connectus
Roberto Pompeu de Toledo
Uma charge em recente número da revista The New Yorker mostrava uma animada mulher, ao telefone, convidando os amigos para uma festinha em sua casa. “Vai ser daquelas reuniões com todo mundo olhando para seu iPhone”, ela diz.
O leitor captou? A leitora achou graça? Cartunistas são mais rápidos do que antropólogos e mais diretos do que romancistas. Captam o fenômeno quase no momento mesmo em que vem à luz.
O fenômeno em questão é o poder magnético dos iPhones, BlackBerries e similares. O ato de compra desses aparelhinhos é um contrato que vincula mais que casamento. As pessoas se obrigam a partilhar a vida com eles.
Na charge da New Yorker, a mulher estava convidando para uma festa em que, ela sabia — e até se entusiasmava com isso —, as pessoas ficariam olhando para seus iPhones ainda mais do que umas para as outras. É assim, desde a sensacional erupção dos tais aparelhinhos, e não só nas ocasiões sociais.
Até nas sessões do Supremo
O mesmo ocorre nas reuniões de trabalho. Chegam os participantes e cada um já vai depositando à mesa o respectivo smartphone (o nome do gênero a que pertencem as espécies). Dali para a frente, será um olho lá e outro cá, um na reunião e outro na telinha. Não dá para desgarrar dela. De repente pode chegar uma mensagem, aparecer uma notícia importante, surgir a necessidade de uma consulta no Google.
O que vale para reuniões sociais e de trabalho vale também para as sessões do Supremo Tribunal Federal. Quem assistiu pela TV Justiça, na semana passada, ao início do julgamento das competências do Conselho Nacional de Justiça, assistiu a uma cena exemplar.
Falava o representante da Associação dos Magistrados Brasileiros. A TV Justiça, com seu apego pela câmera parada, modelo Jean-Luc Godard, enquadrava o orador e, atrás dele, quatro cadeiras da primeira fila da assistência.
Três delas estavam ocupadas, a primeira por uma moça que, coitada, não conseguia se livrar de um ataque de espirros, e as outras duas por cavalheiros cujo tormento, igualmente compulsivo, era não conseguir se livrar dos smartphones. (Se o leitor ainda não se deu conta, o melhor, na TV Justiça ou na TV Câmara, é observar o que se passa ao fundo.)
Os dois cavalheiros apresentavam reações características do Homo connectus. Um olho lá, outro cá. De vez em quando, um deles guardava o telefoninho no bolso. Será que agora vai sossegar? Não; minutos depois, sacava-o de novo. E se chega uma mensagem? Uma notícia?
Às vezes o smartphone exigia mais que um simples olhar. Requeria o afago dos dedos, naquele gesto que antes servia para espanar uma sujeirinha na roupa, e hoje é o modo de conversar com a telinha.
Quando o representante da Associação dos Magistrados terminou o discurso, veio ocupar a cadeira que estava vazia. Agora era sua vez! Sacou o smartphone e, olho lá e olho cá, ele o põe no bolso, tira, olha, consulta de novo, enquanto o orador seguinte se apresentava.
Silenciosos, os smartphones são socialmente mais aceitáveis
O telefoninho esperto vem provocando decisivas alterações na ordem das coisas. O ser humano é instigado a desenvolver novas habilidades, como a de tocar na tela e conduzi-la ao fim desejado, sem que desande, furiosa e insubmissa.
Implantam-se novos hábitos sociais. No tempo do celular puro e simples, aquele bicho que só telefonava, havia restrições a seu uso. Não em ambientes mais debochados, como a Câmara dos Deputados por exemplo, onde sempre foi e continua a ser usado sem peias.
Em lugares de maior compostura, os celulares são evitados porque fazem barulho — disparam a tocar campainhas ou musiquinhas e só permitem comunicação via voz. Já os smartphones podem ser desativados na função telefone mas continuar, em respeitoso silêncio, na função telinha.
Daí serem socialmente mais aceitáveis.
" O smartphone parte a pessoa aomeio: metade dela está na festa, metade no smartphone"
Há uma grande desvantagem, porém.
O aparelhinho parte a pessoa ao meio. Metade dela está na festa, metade no smartphone. Concluída sua oração, metade do senhor da Associação dos Magistrados continuou na sessão do Supremo, metade evadiu-se para o aparelhinho.
Pode ser que o aparelhinho lhe tenha trazido informações fundamentais para sua causa. Mas pode ser também que tenha perdido informações fundamentais, ao não acompanhar o orador seguinte. Qual o remédio, para a divisão da pessoa em duas, metade ela mesma, metade seu smartphone?
Se abrir mão do aparelhinho está fora de questão, como fazer?
Abrir mão do aparelhinho, depois de todas as facilidades que trouxe, está fora de questão. Se é para abrir mão de um dos dois lados, que seja o da pessoa. Por exemplo: inventando-se um smartphone capaz de sugá-la e reproduzi-la em seu bojo. As reuniões sociais, as de trabalho e as sessões do Supremo seriam feitas só de smartphones, sem a intermediação humana.
Delírio? O leitor esquece do que a Apple é capaz.
E se chega uma mensagem? Uma notícia?
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Gustavo Gitti
Boa parte da nossa angústia vem de perceber os outros felizes, andando bem, curtindo a vida. Quando um casamento desaba ou um trabalho dá errado, parece que nós fizemos algo errado. Se tivéssemos acertado, estaríamos junto com as pessoas sorridentes na grande festa.
Mas não há festa!
Experimente parar de comprar a solidez dos sorrisos e perguntar, um a um, "E aí, como você tá?". Não demora: você vai descobrir que estamos todos fodidos. Temos todos a mesma mente ansiosa, inquieta, carente, hesitante, desconfiada, orgulhosa, preguiçosa, medrosa, autocentrada. Temos todos o mesmo corpo meio torto, com ânimo oscilante.
Curiosamente, essa descoberta já libera algum sofrimento. E abre um belo desafio que pode nos mover: se não há festa, quais festas podemos começar a construir?
Gustavo Gitti
http://nao2nao1.com.br
Mas não há festa!
Experimente parar de comprar a solidez dos sorrisos e perguntar, um a um, "E aí, como você tá?". Não demora: você vai descobrir que estamos todos fodidos. Temos todos a mesma mente ansiosa, inquieta, carente, hesitante, desconfiada, orgulhosa, preguiçosa, medrosa, autocentrada. Temos todos o mesmo corpo meio torto, com ânimo oscilante.
Curiosamente, essa descoberta já libera algum sofrimento. E abre um belo desafio que pode nos mover: se não há festa, quais festas podemos começar a construir?
Gustavo Gitti
http://nao2nao1.com.br
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Aniversário do meu pai

Hoje meu pai completaria 71 anos se estivesse vivo.
Faleceu em 18 de Janeiro de 1996, com 55 anos recém feitos em 26/12/95. Esse aniversário ele passou no hospital, assim como quase todo o ano de 1995.
Lidar com as perdas é imensamente difícil e as pessoas que são sensíveis como eu, que têm a emoção à flor da pele, sofrem por um período maior de tempo. Não sofro mais do que os outros, porque os sentimentos são subjetivos e cada um sabe do seu. Só digo que demoro mais pra assimilar a dor e me colocar em pé novamente.
Não foi um dia triste; as lembranças que tenho são boas e, muitas vezes, a gente ri do que passou.
Meu pai foi um grande homem e deixou 4 filhos.
Errou, como todos erramos, acabou por se afastar do que lhe era mais caro e tentou recuperar e reparar seus erros.
Hoje, nesse momento, eu queria vê-lo, abraçá-lo e dizer:
"Pai, te amo.
Perdi tempo demais brigando por coisas que não fizeram sentido depois de algum tempo e perdi de estar na tua cia por causa do meu julgamento. Sinto muita falta do teu abraço, da tua ironia sutil, do teu humor inteligente e, muito mais do que tudo isso, sinto falta de - simplesmente - te chamar de pai, de sempre te saber presente, de ligar pro teu número e ouvir a tua voz. Hoje não mais..
A vida passa, outras pessoas entram nas nossas vidas, aprendemos errando, aprendemos na dor, perdemos momentos importantes, mas ganhamos união, caráter e, principalmente, conseguimos aprender contigo.
Não me machuca sentir tua ausência, é uma saudade boa.
A isso eu chamo de amor.
Te amo com todo o meu coração e te agradeço por ter me mostrado o certo e o errado da tua maneira única.
Me desculpei tantas vezes, mas me desculpa novamente pelo meu entendimento precário quando da tua ausência na minha vida.
Fica com Deus.
Tua filha,
Leli."
sábado, 24 de dezembro de 2011
Feliz Natal!
Meu desejo de Natal é simples: que possamos ver além das aparências, que "ter" não mude a essência de "ser", que o preconceito se transforme em aceitação e entendimento. Feliz Natal a todos!
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Hipocrisia
Artigo: Hipocrisia
Artur Vargas da Silva
http://wp.clicrbs.com.br/doleitor/2011/12/21/artigo-hipocrisia/?topo=13,1,1,,,13
A hipocrisia é algo cômico e ao mesmo tempo revoltante. É um dos assuntos mais comentados em conversas politicamente corretas e uma das palavras mais usadas para criticar aqueles que tiveram a oportunidade que nós não tivemos, para fazer algo incorreto que nós também faríamos.
No entanto, a tão falada hipocrisia consta também entre as características menos assimiladas em nossos aparentemente raros exames de consciência.
Por toda parte em nosso carente país, encontramos rodas de amigos ou ainda solitárias mentes indignadas, tecendo incontáveis críticas ao político corrupto, ao juiz que o absolve e ao povo que o elege. São grandes as ofensas e as queixas contra nossa triste realidade e seus supostos causadores.
Pois bem, sendo essa nossa tão polêmica junção de letras nada mais que a falta de consciência a respeito de nossos erros e a dissimulação frente a escândalos corriqueiros em nosso dias, quem são os culpados? Erra mais aquele que rouba milhões dos cofres públicos, que aquele que rouba balas em um mercado? Seria aquele que ri da doença de uma carismática figura pública, mais insensível que aquele a zombar de um castigado morador de rua? Ou ainda, alguém que não vê sentido nem graça em assistir a um debate político, e não se dá o trabalho de manifestar um pouco de cultura tanto em sua sociedade quanto na própria mente, tem moral para empenhar palavras que nem ao menos conhece contra um pobre analfabeto?
Nossa sociedade é ótima em julgar sem ter direito, somos muito bons em achar que somos capazes de guiar o próximo quando estamos de olhos vendados. Francamente, somos belos hipócritas.
Artur Vargas da Silva
http://wp.clicrbs.com.br/doleitor/2011/12/21/artigo-hipocrisia/?topo=13,1,1,,,13
A hipocrisia é algo cômico e ao mesmo tempo revoltante. É um dos assuntos mais comentados em conversas politicamente corretas e uma das palavras mais usadas para criticar aqueles que tiveram a oportunidade que nós não tivemos, para fazer algo incorreto que nós também faríamos.
No entanto, a tão falada hipocrisia consta também entre as características menos assimiladas em nossos aparentemente raros exames de consciência.
Por toda parte em nosso carente país, encontramos rodas de amigos ou ainda solitárias mentes indignadas, tecendo incontáveis críticas ao político corrupto, ao juiz que o absolve e ao povo que o elege. São grandes as ofensas e as queixas contra nossa triste realidade e seus supostos causadores.
Pois bem, sendo essa nossa tão polêmica junção de letras nada mais que a falta de consciência a respeito de nossos erros e a dissimulação frente a escândalos corriqueiros em nosso dias, quem são os culpados? Erra mais aquele que rouba milhões dos cofres públicos, que aquele que rouba balas em um mercado? Seria aquele que ri da doença de uma carismática figura pública, mais insensível que aquele a zombar de um castigado morador de rua? Ou ainda, alguém que não vê sentido nem graça em assistir a um debate político, e não se dá o trabalho de manifestar um pouco de cultura tanto em sua sociedade quanto na própria mente, tem moral para empenhar palavras que nem ao menos conhece contra um pobre analfabeto?
Nossa sociedade é ótima em julgar sem ter direito, somos muito bons em achar que somos capazes de guiar o próximo quando estamos de olhos vendados. Francamente, somos belos hipócritas.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Feliz Natal e Feliz 2012!
"Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanhe,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanhe,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Bipolaridade e preconceito
A gente não escolhe ter câncer, esclerose, depressão porque quer.
É apenas uma condição física que, como tantas outras doenças, precisa de medicação, assim como ser bipolar também não é uma escolha.
Me entristece a ignorância alheia, o preconceito e os estigmas dessa doença. Eu tenho bipolaridade e não escolhi ser assim: o sofrimento para a família e para as pessoas próximas é evidente e o maior sofrimento é saber o que se tem e não conseguir reagir quando de uma crise depressiva. Ver que as pessoas se divertem com isso é lamentável. Conheçam, aprendam sobre e, principalmente, não ajam preconceituosamente com quem padece dessa condição.
Alguém se divertiria porque outra pessoa tem câncer?
Se a resposta foi com uma pergunta ("como achar graça quando alguém tem câncer?), também não podemos nos divertir às custas de quem sofre de bipolaridade.
É uma atitude preconceituosa, desumana, infantil e completamente ignorante.
Pronto, falei.
Beijo de boa noite.
Leli
É apenas uma condição física que, como tantas outras doenças, precisa de medicação, assim como ser bipolar também não é uma escolha.
Me entristece a ignorância alheia, o preconceito e os estigmas dessa doença. Eu tenho bipolaridade e não escolhi ser assim: o sofrimento para a família e para as pessoas próximas é evidente e o maior sofrimento é saber o que se tem e não conseguir reagir quando de uma crise depressiva. Ver que as pessoas se divertem com isso é lamentável. Conheçam, aprendam sobre e, principalmente, não ajam preconceituosamente com quem padece dessa condição.
Alguém se divertiria porque outra pessoa tem câncer?
Se a resposta foi com uma pergunta ("como achar graça quando alguém tem câncer?), também não podemos nos divertir às custas de quem sofre de bipolaridade.
É uma atitude preconceituosa, desumana, infantil e completamente ignorante.
Pronto, falei.
Beijo de boa noite.
Leli
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Final de Ano
Faltam cinco dias para o Natal.
O ano de 2011 passou e eu nem percebi.
Os dias tiveram suas 24h, mas parece que cada dia tinha menos ou mais horas.
Explico:
- não vi o ano passar até Maio, quando saí do meu trabalho. Cada dia parecia ter bem menos horas, tamanha quantidade de atividades que realizava.
- as horas passaram lentamente quando tive dias de tristeza em julho e agosto, misturadas com as horas insones.
- vi cada dia passar com o sentimento de não ter cumprido com meu planejamento e essas são horas muito longas.
Não sei a sensação que tenho ao terminar esse ano.
Decorei o apartamento, mas a alegria ainda não me contagiou.
Vou me graduar em Gestão de Recursos Humanos e, ainda assim, não encontro a alegria desse momento.
O que vivi de muito bom foi meu reencontro com a fé.
Estou me redescobrindo aos poucos e isso não tem preço, mas exige envolvimento.
Essa semana foi de uma redescoberta: reencontrei meus colegas da sexta série. Faz 29 anos... Foi lindo, emocionante porque não é todo dia que se pode abraçar quem fez parte da tua infância e te ajuda a lembrar de uma parte da tua história.
Reencontrei me amigo Humberto (que vive na França) depois de onze anos e a sensação foi a de que a amizade verdadeira não para com o tempo. Mesmo distantes, falamos a mesma língua e a emoção toma conta. Nos conhecemos em 1987, mas a presença dele aqui fez eu me dar conta de que poucas pessoas têm amigos verdadeiros. Graças a Deus, sou uma delas.
O ano me deu alguns sustos, desilusões, mas viver tem disso: se valoriza mais o que se é quando uma desilusão cruza o nosso caminho.
Não estamos livres.
Meu desejo é ser eu mesma e que em 2012 eu possa me reencontrar.
A frase de 2011:
"Você tem que aprender que certas pessoas permanecerão no seu coração, mas não na sua vida."
Beijos.
Boa semana.
Leli
O ano de 2011 passou e eu nem percebi.
Os dias tiveram suas 24h, mas parece que cada dia tinha menos ou mais horas.
Explico:
- não vi o ano passar até Maio, quando saí do meu trabalho. Cada dia parecia ter bem menos horas, tamanha quantidade de atividades que realizava.
- as horas passaram lentamente quando tive dias de tristeza em julho e agosto, misturadas com as horas insones.
- vi cada dia passar com o sentimento de não ter cumprido com meu planejamento e essas são horas muito longas.
Não sei a sensação que tenho ao terminar esse ano.
Decorei o apartamento, mas a alegria ainda não me contagiou.
Vou me graduar em Gestão de Recursos Humanos e, ainda assim, não encontro a alegria desse momento.
O que vivi de muito bom foi meu reencontro com a fé.
Estou me redescobrindo aos poucos e isso não tem preço, mas exige envolvimento.
Essa semana foi de uma redescoberta: reencontrei meus colegas da sexta série. Faz 29 anos... Foi lindo, emocionante porque não é todo dia que se pode abraçar quem fez parte da tua infância e te ajuda a lembrar de uma parte da tua história.
Reencontrei me amigo Humberto (que vive na França) depois de onze anos e a sensação foi a de que a amizade verdadeira não para com o tempo. Mesmo distantes, falamos a mesma língua e a emoção toma conta. Nos conhecemos em 1987, mas a presença dele aqui fez eu me dar conta de que poucas pessoas têm amigos verdadeiros. Graças a Deus, sou uma delas.
O ano me deu alguns sustos, desilusões, mas viver tem disso: se valoriza mais o que se é quando uma desilusão cruza o nosso caminho.
Não estamos livres.
Meu desejo é ser eu mesma e que em 2012 eu possa me reencontrar.
A frase de 2011:
"Você tem que aprender que certas pessoas permanecerão no seu coração, mas não na sua vida."
Beijos.
Boa semana.
Leli
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
domingo, 20 de novembro de 2011
"Le Tête en Friche"
"Um encontro pouco comum, entre o amor e a ternura, não tinha outra coisa.
Tinha nome de flor e vivia entre as palavras.
Adjetivos rebuscados, verbos que cresciam como a grama, alguns ficavam.
Entrou suavemente desde o córtex até o meu coração.
Nas histórias de amor há mais que amor.
Às vezes não há nenhum 'eu te amo', mas se amam.
Um encontro pouco comum. Eu a conheci por acaso no parque.
Ela não ocupava muito espaço,
era do tamanho de uma pomba com as suas penas.
Envolta em palavras, em nomes, como o meu.
Ela me deu um livro, e outro, e as páginas se iluminaram.
Não morra agora, há tempo, espere.
Não é a hora, florzinha.
Me dê um pouco mais de você.
Me dê um pouco mais de sua vida. Espere.
Nas histórias de amor há mais que amor.
Às vezes não há nenhum 'eu te amo', mas se amam."
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
E,
por favor, não confunda mais:
ambíguo com ambivalente,
efígie com esfinge,
dialético com diabético,
eminente com imanente,
mitigar com militar,
homogêneo com homem gênio,
forçoso com forçado,
incrível com incrédulo,
rabisco com arabesco,
baobá com oba-oba,
luxuriante com luxuriento,
paz com pás,
perseguir com prosseguir,
perspectiva com prospectiva,
procrastinar com postergar,
preceder com proceder,
prático com praticável,
prostrado com emprestado,
maluca com má louca,
venal com venial,
evolucionário com revolucionário,
ante com anti,
ascendente com ás sem dente
e, nunca!,
Genaro Hermano com o gênero humano.
Millôr Fernandes
domingo, 13 de novembro de 2011
Pré Pearl Jam
Primos reunidos antes do show aqui em casa.
Eu não fui, mas quem foi adorou!
O próximo eu não perco!
Beijos.
Leli
p.s.: a Feife me fazendo "guampinhas" é o ó!!!!!
domingo, 6 de novembro de 2011
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Assinar:
Postagens (Atom)

















